Candidatos da CDU à Assembleia da República em Campo Maior

Candidatos da CDU à Assembleia da República em Campo Maior
Podem contar com a CDU para "preservar e valorizar as tradições populares e a cultura popular do distrito de Portalegre. Como por exemplo o Jardim Florido e as Festas do Povo de Campo Maior."

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Comício da Festa do «Avante!» 2016 - Jerónimo de Sousa


No tempo em que celebramos e realizamos a quadragésima Festa do «Avante!», a todos vós – construtores e participantes - as saudações fraternais e a manifestação da nossa alegria pela vossa presença.

Somos todos nós que fazemos esta Festa. Mas esta participação imensa de jovens, muitos dos quais a sentirem-se livres e emancipados no acto de construção, nos momentos da participação diversificada, e aqui no comício da Festa, permite uma conclusão: só por isto a Festa já valia a pena. Viva a JCP, viva a juventude! Um viva que envolva todo o nosso colectivo partidário, este nosso Partido Comunista Português!

E porque também celebramos os 40 anos da Constituição da República que haveria de consagrar e projectar os valores de Abril, a Festa do «Avante!» que só é o que é porque em Portugal houve uma revolução libertadora, então celebramos também a Constituição de Abril, lutando pela sua defesa e efectivação.

Este ano a Festa está maior, estendeu-se à Quinta do Cabo que hoje é nossa, é da Festa! A campanha para a sua aquisição foi um êxito. Daqui saudamos todos os militantes e um agradecimento aos muitos outros milhares de democratas que, com o seu apoio, tornaram possível esta importante valorização da nossa Festa!
Uma saudação que estendemos, de forma calorosa, às várias dezenas de delegações estrangeiras que connosco partilharam estes três dias. A vossa presença confirma os laços de amizade e solidariedade que nos unem e que queremos reforçar no interesse comum dos nossos países e povos.

Podeis estar certos que o PCP, partido patriótico e internacionalista, fará tudo o que estiver ao seu alcance para fortalecer a acção comum dos comunistas e das forças do progresso social e da paz de todo o mundo, para fazer frente com confiança à perigosa e preocupante evolução da situação internacional.
A vida tem confirmado as análises do PCP sobre a evolução do sistema capitalista e o aprofundamento da sua crise estrutural. Uma crise global inseparável de uma inaudita centralização e concentração do capital e da riqueza, de uma cada vez maior financeirização da economia e domínio do capital financeiro e especulativo que é acompanhada no plano social de uma brutal intensificação da exploração dos trabalhadores, do ataque a direitos sociais e liberdades fundamentais e à soberania dos Estados.

O imperialismo não tem soluções para os problemas do mundo contemporâneo e é incapaz de ultrapassar as contradições do sistema. Pelo contrário, a sua acção aprofunda todos os problemas e por toda a parte enfrenta a resistência e a luta dos trabalhadores e dos povos.

Nesse embate, cada vez mais intenso, o grande capital e o imperialismo optam por uma ofensiva agressiva que se estende praticamente a todos os continentes visando apropriar-se de matérias-primas, dominar mercados, abrir campo às multinacionais e desestabilizar países que afirmam a sua soberania.
A guerra surge cada vez mais como a resposta do imperialismo, nomeadamente do imperialismo norte-americano, à crise do seu sistema de exploração e opressão. Aí estão a corrida aos armamentos, o reforço e alargamento da NATO, o caos provocado no Médio Oriente e Norte de África, o militarismo da União Europeia e do Japão, a instalação dos sistemas de mísseis norte-americanos nas fronteiras com a Federação Russa e com a China a alertarem-nos para os perigos que a Humanidade enfrenta. Aí estão as consequências: como o dramático rasto de morte, a destruição de países inteiros e os milhões de refugiados, realidades que exigem o reforço da luta pelo desarmamento e a paz.

Há alternativa! Ela reside na luta dos muitos milhões que por esse mundo travam com coragem e determinação os duros combates da luta de classes que se agudiza. Uma luta que mostra que, apesar dos grandes perigos, existe caminho, força, vontade e razão para termos confiança no futuro do Mundo em que vivemos.

E é por isso que desta tribuna queremos não só reafirmar a nossa persistente determinação em prosseguir a luta, como saudar aqueles que nas mais diversas condições abrem alamedas de esperança para um mundo mais justo, fraterno e de paz. Saudamos todos aqueles que, tal como nós, prosseguem na Europa a luta contra a União Europeia, por uma outra Europa dos trabalhadores e dos povos. Saudamos os povos de África que prosseguem os combates pelo seu direito ao desenvolvimento e contra as ingerências crescentes do imperialismo. Saudamos os povos asiáticos, confrontados com novos perigos e conflitos alimentados pelo imperialismo. Saudamos os povos do Médio Oriente, vítimas de indizíveis crimes do imperialismo, e em especial o povo Sírio, que resiste à agressão, e ao heróico povo da Palestina. Saudamos ainda os povos da América Latina que tanto já deram à luta anti-imperialista e que agora necessitam de toda a nossa solidariedade para fazer frente às manobras do imperialismo e da reacção. A todos eles dizemos – presente! – e, em particular, aos povos do Brasil, da Venezuela e de Cuba!

Aqui estamos, comunistas, portugueses, nessa luta, todos os dias, batalhando lado a lado com os trabalhadores e o povo pelos seus direitos, rendimentos e dignidade, e em defesa dos interesses do nosso País. Uma luta que se desenvolve e faz frente às campanhas ideológicas dos que, para manter o seu domínio explorador, tentam semear a descrença na luta organizada e difundir a ideia de que não há alternativa ao sistema capitalista.
Mas enganam-se!

A luta é cada vez mais actual pelo grande objectivo dos comunistas – o Socialismo - esse empreendimento histórico inaugurado pela primeira vez na História da Humanidade com a Revolução de Outubro cujo centenário comemoraremos no próximo ano!

Em Portugal, vivemos uma situação política bem diferente daquela que existia há um ano no momento em que aqui realizávamos a nossa Festa do «Avante!».

Nessa altura, os trabalhadores e a grande maioria do nosso povo eram alvo de uma violenta ofensiva, conduzida de forma sistemática durante quatro anos pelo governo do PSD/CDS, contra os seus direitos, rendimentos e condições de vida e estavam confrontados com a perspectiva da continuação dessa ofensiva.
Hoje, com o afastamento do PSD e CDS do governo, em resultado da decisiva e oportuna iniciativa política do PCP, dando expressão ao voto popular em 4 de Outubro e a uma ampla e vigorosa luta dos trabalhadores e do povo português por esse objectivo, temos aberta uma nova fase da vida política nacional e, com ela, melhores condições para continuar a luta em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

A solução política alcançada não substitui a necessária e cabal resposta aos muitos e graves problemas que anos e anos de política de direita agravada pelos PEC e o Pacto de Agressão da responsabilidade de governos do PSD, PS e CDS criaram no País, mas permitiu travar e inverter no imediato o curso de uma ofensiva brutal e responder, ainda que de forma limitada, a problemas prementes dos trabalhadores e do povo.

Não é, por isso, uma solução que responda ao indispensável objectivo de ruptura com a política de direita e à concretização de uma política patriótica e de esquerda a que aspiramos, o País carece e a gravidade da realidade nacional exige.

Essa realidade cuja gravidade é iniludível!

Uma insustentável dívida pública; acentuado definhamento e regressão económica de retorno a valores do início do século, em resultado de anos consecutivos de crescimento nulo e de uma destruidora recessão; profunda fragilização do tecido económico; redução do investimento para níveis paralisantes; agravados défices, entre os quais o produtivo e tecnológico; destruição e drenagem crescente para o estrangeiro de capital; perda de controlo nacional de sectores, áreas e empresas estratégicas e degradação do sistema financeiro.

Uma realidade social profundamente degradada com níveis de desemprego insustentáveis, mas também de precariedade, emigração e pobreza; uma situação marcada pela intensificação da exploração do trabalho patente numa acentuada desvalorização geral de salários e pensões, mas também dos rendimentos e direitos de outras camadas da população; desigualdades sociais e territoriais; empobrecimento e restrições no acesso a serviços públicos essenciais (saúde, ensino, segurança social); regressão cultural, ambiental e no direito e acesso à justiça.

Um preocupante empobrecimento do regime democrático, que se agravou com o processo de reconfiguração do Estado ao serviço do capital monopolista, com o surgimento de casos e casos de corrupção e a promiscuidade entre negócios privados e actividades públicas, e que são o resultado de indisfarçáveis ligações e das práticas de subordinação do poder político ao poder económico nacional e transnacional.

As consequências da política de direita e ao serviço do capital monopolista, de privatizações, liberalizações e desregulamentação económicas, laborais e sociais e, particularmente, a realizada nestes últimos anos de governo do PSD/CDS e de Pacto de Agressão que debilitaram seriamente o País, não desapareceram com a derrota do anterior governo e exigem agora um esforço hercúleo de recuperação e uma política ajustada a essa árdua e difícil tarefa.

É hoje uma evidência que o rasto de declínio económico com a destruição de força e capacidade produtivas do País e, entre outros aspectos, a política de abandono do investimento público vão condicionar para os próximos anos a vida nacional e as perspectivas do seu desenvolvimento.

Os trágicos fogos florestais deste Verão são bem exemplo de anos de incúria e de uma política de desinvestimento, desastre e abandono dos sectores produtivos, de ausência de uma política de desenvolvimento da agricultura e de ordenamento florestal, de destruição da agricultura familiar, de abandono do desenvolvimento do mundo rural e do interior.

Manifestamos mais uma vez a solidariedade do PCP para com as populações atingidas e o nosso apreço pelo incansável trabalho dos nossos bombeiros, e reafirmamos que o PCP não se cansará de tomar as iniciativas que se impõem para assegurar a par da ajuda imediata às populações atingidas, a exigência de outra política agrícola e de uma política de defesa da floresta portuguesa.

Nestes primeiros tempos da nova fase da vida política nacional, com a nova correlação de forças na Assembleia da República, a solução política encontrada e os compromissos de inversão de rumo nela assumidos, pesem dificuldades e contradições ditadas pelas distintas diferenças programáticas e de percurso, e com a contribuição decisiva do PCP foi possível repor direitos e rendimentos e dar resposta a alguns problemas mais urgentes.

No seu conjunto é vasta a lista de medidas positivas, como são exemplo: - a reposição dos salários e das 35 horas de horário de trabalho na Administração Pública, na sequência de um prolongado processo de luta que se desenvolveu ao longo de 34 meses; a eliminação da sobretaxa do IRS, a reposição dos feriados roubados, a reversão do processo de privatização das empresas públicas de transportes terrestres de passageiros, o aumento do salário mínimo nacional, o aumento do abono de família e do complemento solidário para idosos, a redução das taxas moderadoras, a introdução do início da gratuitidade dos manuais escolares, o fim dos exames do 4º e 6º ano, o apoio extraordinário a trabalhadores desempregados, a redução do IVA da restauração.

Sabemos que estamos aquém do que é necessário, outras medidas são necessárias para melhorar as condições de vida dos trabalhadores e do povo, e não vamos baixar os braços pela sua concretização!

Mas o que estes meses da vida política nacional revelaram é a sistemática hostilidade e a forte resistência das forças do grande capital nacional e transnacional e dos seus aliados políticos internos e externos à solução política alcançada e a sua oposição e resistência a toda e qualquer medida que possa reverter o saque que promoveram aos rendimentos e direitos dos trabalhadores e do povo nestes últimos anos. Toda uma acção visando criar as condições para inverter a actual situação e retomar a ofensiva!

A evolução da nova fase da vida política nacional, de consolidação e aprofundamento do caminho percorrido de devolução de direitos e rendimentos, e a solução dos problemas nacionais está confrontada com duas ameaças que intimamente se articulam com a necessidade da superação de uma perigosa ilusão que permanece.

Duas ameaças – a que resulta da insidiosa acção dos partidos do revanchismo, PSD e CDS, apostados que estão desestabilização do País a todo o custo, a pensar no seu rápido regresso ao poder e a ameaça que se desenvolve a partir da União Europeia com o mesmo objectivo de fazer implodir qualquer solução que ponha em causa a orientação da política dominante.

E a ilusão, tão perigosa quanto as ameaças, de que é possível avançar de forma decidida na solução dos problemas de fundo do País com simples ajustamentos ao modelo imposto pelo processo de integração capitalista da União Europeia e sem o libertar das amarras da política que o conduziu à crise e à ruína.

As opções do PS e a sua assumida atitude de não romper com os constrangimentos externos – sejam as imposições da União Europeia, a submissão ao Euro ou a renegociação da dívida - seja a não ruptura com os interesses do capital monopolista, são um grave bloqueio à resposta aos problemas do País. Mas também uma forma de favorecer as forças que querem impor o regresso ao passado e continuar a levar o País pelo caminho da crise e ao declínio.

Ameaças a partir do interior do País, bem visíveis, desde logo, em toda a acção e intervenção de PSD e CDS e dos grandes interesses que representam, e que com eles se articulam, que desde a primeira hora desenvolvem toda uma campanha associando à devolução de direitos e rendimentos, tragédias e iminentes catástrofes. O que desejam é o regresso à cartilha da política de agravamento exploração e empobrecimento.

É vê-los a ampliar mentiras e manobras contra o interesse nacional, da inevitabilidade dos «Planos B» de regresso ao saqueio ao povo, da germânica operação de um novo resgate, das leituras enviesadas e objectivamente desestabilizadora da União Europeia, do FMI, do BCE, dos seus correligionários do Partido Popular Europeu sobre a realidade portuguesa.

Sim, eles querem retomar o caminho de exploração e ruína que foi travado. Contam para a concretização desse objectivo com o apoio e a conivência da União Europeia.

Se dúvidas houvesse os últimos meses demonstraram que a acção da União Europeia tem esse objectivo central.

Uma acção que não é uma surpresa. Se há Partido que há muito sabia o que representava a União Europeia e o Euro, esse Partido é o PCP. Durante anos e anos alertámos para as consequências da adesão de Portugal à CEE / União Europeia e ao Euro, e o que representavam. Um País submetido a um conjunto de regras, imposições e ingerências externas que nada têm que ver com as aspirações do nosso povo e os interesses do nosso País.

Como sempre afirmámos são os interesses do grande capital e das principais potências capitalistas da Europa que estiveram por detrás da criação da União Europeia e do Euro e que hoje ditam a sua evolução.

Hoje está mais visível aos olhos de mais portugueses a contradição insanável entre o direito do País a um desenvolvimento e as imposições da União Europeia. Hoje é mais evidente que o futuro do País, a melhoria das condições de vida do nosso povo e a soberania nacional exigem que se enfrentem com coragem essas imposições e que se lute para libertar Portugal das amarras do Euro, da União Económica e Monetária e das políticas da União Europeia.

Uma luta que é simultaneamente uma contribuição para a libertação dos povos da Europa de um processo de integração que está a empurrar o continente para a regressão civilizacional, para uma situação insustentável e carregada de perigos, um processo criador de crises várias e corroído por contradições cada vez mais fundas.

É sintomático que hoje, e sobretudo depois do referendo na Grã-Bretanha, se evidencie um crescente esgotamento do processo de integração e um sério abanão na sua construção.

O futuro de Portugal exige a ruptura com as imposições e chantagens que visam perpetuar a submissão, a exploração, o endividamento e empobrecimento.
É esse o objectivo das sanções com que ameaçam Portugal.

Sanções que não foram, como alguns se apressaram a concluir, afastadas ou vencidas. Elas aí estão presentes agora concentradas nas pressões e chantagem sobre o Orçamento do Estado 2017 para tentar esmagar a esperança aberta de que é possível sermos donos dos nossos destinos, decidir de forma soberana do progresso social do nosso povo e do desenvolvimento do nosso País.

E é exactamente por essa razão que o Governo tem de rejeitar esse pérfido plano!

Perguntam-nos qual é a nossa posição em relação à proposta do Orçamento do próximo ano, que em breve será público.

A nossa decisão, será determinada sempre pelo seu conteúdo. O nosso compromisso é examinar a proposta, abertos que estamos a propor e encontrar soluções para que prossiga uma linha de devolução e reposição de direitos, de respeito pelos salários, de aumento das pensões, mas também de dar resposta aos problemas do crescimento, do emprego e do desenvolvimento.

Sabemos que está em andamento uma nova e despudorada campanha revanchista.

PSD e CDS intrigam e deturpam para confundir os portugueses. Mentem sobre a solução política e o actual quadro político.

E por isso é importante reafirmar:

O actual quadro político traduziu-se não na formação de um governo de esquerda, mas sim na formação e entrada em funções de um governo minoritário do PS com o seu próprio programa.

Traduziu-se não na existência de uma maioria de esquerda na Assembleia da República, mas sim na existência de uma relação de forças em que PSD e CDS-PP estão em minoria, e em que, ao mesmo tempo, os grupos parlamentares do PCP e do PEV condicionam decisões e são determinantes e indispensáveis à reposição e conquista de direitos e rendimentos.

Traduziu-se não numa situação em que o PCP seja força de suporte ao Governo por via de um qualquer acordo de incidência parlamentar, mas sim uma situação em que tendo contribuído para que o Governo iniciasse funções e desenvolva a sua acção, o PCP mantém total liberdade e independência políticas, agindo em função do que serve os interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Uma solução política assumida na plenitude da sua independência e identidade, reafirmando o seu Programa e projecto, inscrevendo como objectivos da sua intervenção a concretização da ruptura com a política de direita e uma política patriótica e de esquerda.

Uma solução onde está presente um compromisso de reverter direitos e rendimentos esbulhados e dar resposta a problemas urgentes dos trabalhadores, do povo e do País e inverter o curso para o desastre económico e social que vinha sendo imposto.

É esse o compromisso que importa cumprir!

Dar novos e mais firmes passos em frente no melhoramento da vida dos portugueses!

Afastar as ameaças, mas também a superação das ilusões, sendo um imperativo da hora presente, exige o contributo e a conjugação de um conjunto de factores essenciais, desde logo e em primeiro lugar, o envolvimento dos trabalhadores e do povo, e da força da sua luta que é preciso desenvolver e ampliar.
Foi a luta que nos trouxe até aqui. Uma luta de anos, uma luta que se desenvolveu após as eleições de 4 de Outubro, que marcou com grande impacto a queda e remoção do Governo PSD/CDS em Novembro passado.

Luta que continuou - desenvolvida pelos trabalhadores de diversos sectores, da Administração Pública, dos enfermeiros e outros trabalhadores da saúde, dos guardas florestais, das autarquias e empresas municipais, do Inatel, da Santa Casa da Misericórdia, da EGF, Amarsul e Valorlis, dos trabalhadores da Carris, do Metro, dos trabalhadores portuários e aeroportuários, do sector têxtil, das cantinas e lavandarias dos hospitais, da hotelaria, da Dan Cake, Unicer e Panrico, da Sonae e Pingo Doce, da Petrogal, da ALSTOM, da Caetano Bus, do Parque da Autoeuropa, dos centros de contacto da EDP, da Soares da Costa, das OGMA, dos taxistas. Luta da juventude trabalhadora, dos estudantes do ensino secundário e do ensino superior, dos agricultores, dos produtores de leite e de carne, dos reformados e pensionistas. Luta em defesa dos serviços públicos, da Escola Pública e do Serviço Nacional de Saúde, pelo direito à mobilidade.

A todos os trabalhadores, à população em luta, manifestamos a nossa solidariedade. Nada foi oferecido, tudo foi conquistado, assim foi e assim será!

A luta, essa vai continuar e continuará pela defesa, reposição e conquista de direitos!

A resistência e luta dos trabalhadores é inseparável das suas organizações unitárias de classe, da CGTP-IN, a sua grande central sindical que daqui saudamos. Unidade, luta e organização é, ontem como hoje, o caminho da vitória!

A luta dos trabalhadores e das suas organizações é uma condição determinante, para a evolução positiva da nova fase e a construção de um outro rumo para o País. Mas exige também o aprofundamento da convergência e acção comum dos sectores e personalidades democráticas e patriotas, empenhados no combate à política de direita, para assegurar o futuro do País.

Alterar a actual correlação de forças política, na sociedade portuguesa, dando mais peso e mais força ao PCP é outra condição necessária e indispensável a novos avanços. A vida está a mostrar que a solução dos problemas nacionais tem no PCP, no seu reforço, no alargamento da sua influência, um factor incontornável na criação das condições para a concretização da política patriótica e de esquerda que o País precisa.

Por isso, nos dirigimos aos portugueses que aspiram levar o País para frente, dizendo-lhes: apoiem o PCP! Dem força ao PCP e os resultados surgirão!

Mais força e mais apoio ao PCP que quanto mais forem, mais garantido está que a vida dos portugueses não andará para trás!

Mais apoio ao PCP que significará mais força para resolver os problemas nacionais!

Mais força, para levar mais longe a concretização das soluções necessárias para assegurar emprego, direitos, produção, desenvolvimento, soberania!
O País precisa de fazer grandes e urgentes opções para assegurar os interesses do povo português e a independência nacional.

A opção entre continuar o arrastado caminho que nos tem conduzido ao empobrecimento ou encetar um novo rumo com outra política, em ruptura com a política de direita e de submissão à União Europeia e ao Euro.

Portugal precisa de uma política patriótica e de esquerda capaz de dar resposta a problemas de fundo, como são os do fraco crescimento económico, do desemprego e dos baixos níveis de investimento, e assegurar condições de vida digna para os portugueses.

Precisa de uma política que assuma a recuperação da soberania monetária, que inscreva como uma necessidade inadiável a renegociação da dívida para libertar recursos e que resolva o grave problema da dominação monopolista da banca.

Sim, a submissão ao Euro, a dívida colossal, a dominação monopolista da banca, são três dos principais mecanismos de dependência nacional ao grande capital financeiro, aos grandes grupos económicos europeus e que nos condenam à sujeição e ao garrote político.

A recuperação da soberania monetária é uma necessidade estrutural do País.

Portugal precisa da sua própria moeda, banco central emissor e gestão monetária, financeira, cambial e orçamental ajustadas, e ao serviço do País.

Precisa de renegociação da dívida pública, nos seus prazos, juros e montantes, que reduza substancialmente o volume de encargos anuais e o endividamento externo, liberte fundos para o investimento e as funções sociais do Estado, e estanque a sangria de recursos para o estrangeiro. Portugal não pode pagar anualmente em juros mais de 8,5 mil milhões de euros, um montante colossal e sufocante.

Precisa de assegurar o que é outra necessidade premente – o controlo público da banca, invertendo o processo em curso de alienação e concentração aceleradas nos mega bancos europeus da sua actividade bancária, cada vez mais presente com a gigantesca operação a que chamam de União Bancária. Um processo que confirma que a banca ou é pública ou não é nacional!

Mas sabemos ser indispensável ir mais longe.

Nos próximos meses, no quadro da sua acção política, seja no quadro do próximo Orçamento do Estado, seja no plano da sua intervenção política mais geral dentro e fora da Assembleia da República, continuaremos a bater-nos por objectivos que consideramos necessários e indispensáveis para o País.

Podem por isso, contar com o empenhamento do PCP, na luta contra a precariedade e todas as formas de exploração seja no sector público, ou no sector privado, pela revogação das normas gravosas da legislação laboral, na defesa e valorização da contratação colectiva, pelo descongelamento das carreiras na Administração Pública, na exigência do aumento dos salários, designadamente do salário mínimo nacional para 600€ a partir do início próximo ano.

Podem contar com o PCP na luta pelo aumento efectivo das reformas e pensões tal como propusemos no Orçamento do Estado de 2016, com um aumento mínimo não inferior a 10€ por mês.

Podem contar com o PCP na luta pelo aumento do número de médicos, enfermeiros e assistentes operacionais no Serviço Nacional de Saúde, suprindo as gritantes necessidades neste sector que o governo anterior quase destruiu, bem como, no sentido da redução e eliminação das taxas moderadoras.

Podem contar com o PCP para dar continuidade à introdução da gratuitidade dos manuais escolares na Escola Pública fixando-a já no próximo ano para o 1º ciclo do ensino básico, bem como, no imprescindível caminho de diminuição do número de alunos por turma, na contratação e vinculação dos professores ao quadro.

Podem contar com o PCP na luta por mais e melhor Segurança Social, nomeadamente pela melhoria das prestações sociais, descongelando o chamado Indexante dos Apoios Sociais e alargando os valores e condições de acesso aos apoios concedidos em situações de desemprego, doença, pobreza, infância, designadamente o abono de família.

Podem contar com o PCP na luta contra as injustiças no sistema fiscal. Combatendo os privilégios dos grupos económicos, tributando o património mobiliário e aliviando os impostos sobre os trabalhadores e o povo.

Podem contar com o PCP na luta em defesa da produção nacional. Uma política que decididamente promova e reforce o investimento público orientado para o crescimento e emprego, com políticas que defendam a agricultura, as pescas e a indústria. É preciso garantir o acesso ao crédito e apoios públicos a milhares de micro, pequenas e médias empresas.

Podem contar com o PCP, no combate à privatização do Novo Banco e para defender a Caixa Geral de Depósitos enquanto banco público. Reforçando a sua intervenção e estrutura, servindo as populações e a economia nacional, respeitando os trabalhadores e os seus direitos.

Podem contar com o PCP na defesa da língua e cultura portuguesas, pelo reforço dos apoios à actividade artística e cultural, pela dignificação do serviço público de rádio e televisão, pela dinamização das milhares de estruturas, companhias, grupos formais e informais que fazem e desenvolvem a cultura de um povo.
Sim, esconjurar os perigos exige acção convergente da luta dos trabalhadores e do povo, a determinação dos democratas e patriotas, o fortalecimento do PCP e, não menos importante, de uma política que assegure efectivamente a resolução dos problemas do País!

O PCP é a força necessária e insubstituível na defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, e para a construção da alternativa patriótica e de esquerda.

Temos uma intervenção que se distingue e marca a diferença em todas as instituições em que estamos presentes. No Parlamento Europeu na defesa dos interesses nacionais e da cooperação entre os povos. Na Assembleia da República com uma intervenção intensa combatendo o que é negativo, não desaproveitando nenhuma possibilidade de melhoria das condições de vida, tomando a iniciativa, afirmando a alternativa. Nas Assembleias Legislativas Regionais dos Açores e da Madeira intervindo para a defesa dos interesses das populações e o desenvolvimento das regiões autónomas. No Poder Local prosseguindo a intervenção e a obra notável da CDU.

Temos pela frente importantes batalhas eleitorais. Quando aqui voltarmos para o ano estaremos em plena campanha eleitoral para as autarquias locais. Estamos em condições de fazer dessas eleições um momento de construção de um resultado que confirme a CDU como a grande e principal força de esquerda no Poder Local. Em condições de contribuir com o resultado da CDU para defender, afirmar e valorizar o Poder Local Democrático. E sobretudo em condições, com o reforço da CDU, corresponder ao crescente apoio e reconhecimento das populações perante o trabalho e a obra realizada, e o percurso de trabalho, honestidade e competência que em nós identificam.

Vamos para estas eleições concorrendo em todo o País no quadro da CDU e do seu projecto distintivo. Em 2017 afirmaremos de novo a CDU como força de projecto com provas dadas, como solução e proposta alternativa à gestão de PS, PSD e CDS. Temos até lá muito trabalho. Para responder plenamente a problemas e aspirações locais, para fazer valer os direitos das populações, para dar maior expressão à participação democrática. E também para, ampliando a expressão e influência da CDU, dar mais força à luta por uma política alternativa ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País.

Estamos já numa fase adiantada na importante batalha eleitoral de 16 de Outubro nos Açores. Aos nossos camaradas da Região Autónoma dos Açores uma palavra de apoio e solidariedade de todo o Partido com a confiança de que o reforço da CDU será uma importante contribuição para, também na região, fazer valer os direitos e interesses dos trabalhadores e do povo.

Desenvolvemos uma intervenção sem paralelo na dinamização da luta na defesa, reposição e conquista de direitos dos trabalhadores e do povo.

Vamos prosseguir e intensificar a campanha “Mais direitos, mais futuro. Não à precariedade”. Realizámos um vasto conjunto de iniciativas e propostas legislativas, num combate que vamos ampliar contra este flagelo social. Não desistiremos, este combate tem que ser vencido!

Temos uma intervenção ímpar nos grandes combates políticos sobre o desenvolvimento e a soberania do País, em defesa da reindustrialização, da agricultura e das pescas nacionais, pelo fim da submissão à União Europeia e ao Euro!

Assim vamos continuar com a forte intervenção que a situação exige. Iniciaremos neste mês de Setembro uma grande acção nacional pelo emprego, os direitos, a produção e a soberania, pela alternativa patriótica e de esquerda. Contacto, esclarecimento, mobilização dos trabalhadores e do povo, para dizer e para ouvir. Com acções nas ruas, nas empresas, nos locais públicos, com a realização de um ciclo de iniciativas sobre importantes matérias como o combate à precariedade, a legislação laboral, os salários, as pensões e a Segurança Social, o Serviço Nacional de Saúde, apoio às crianças e pais, por um desenvolvimento equilibrado, a habitação, a política fiscal.

Está nas mãos dos trabalhadores e do povo português abrir o caminho e concretizar o Portugal a que temos direito. O PCP aqui está para assumir todas as suas responsabilidades como força portadora de uma política alternativa, força agregadora dos democratas e patriotas, força dinamizadora do esclarecimento e da luta, força de acção, esperança e confiança.

Somos um Partido, que resiste, e avança, um Partido que os trabalhadores, o povo e o País precisam que seja cada vez mais forte.

Mais força ao PCP, intervindo, levando à prática a acção “Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte”, avançando na capacidade de direcção, na assumpção de tarefas regulares, na adesão de novos militantes, na intervenção e organização das células de empresa e local de trabalho, na acção das organizações locais, no trabalho com camadas sociais específicas, na ligação aos trabalhadores e às populações, na propaganda e difusão da imprensa partidária designadamente do «Avante!», na independência financeira do Partido.

Um partido mais forte e com mais força, com os traços essenciais que o definem - a sua natureza de partido da classe operária e de todos os trabalhadores, o seu objectivo da construção de uma sociedade nova, o socialismo e o comunismo, a sua base teórica o marxismo-leninismo, os seus princípios de funcionamento decorrentes do desenvolvimento criativo do centralismo democrático, com uma profunda democracia interna, uma única direcção central e uma única orientação geral, e a sua característica de partido patriótico e internacionalista.

Da tribuna deste comício reafirmamos o compromisso do PCP e fazemos um forte apelo a todos os democratas e patriotas, aos trabalhadores e ao povo português para que se mobilizem numa grande afirmação nacional de resistência à chantagem e à submissão, de libertação social e nacional, por uma política patriótica e de esquerda, por um Portugal desenvolvido e soberano. Como a nossa história de quase 900 anos mostra e a evolução recente comprova, podem proclamar inevitabilidades e impossibilidades, podem criar obstáculos, podem mesmo retardar o caminho, mas nada nem ninguém pode impedir um povo de decidir do seu futuro. Somos uma força que assenta num ideal, num projecto, na convicção, na militância como dever livremente assumido, como forma de realização ao serviço do povo, como instrumento de acção imbatível de que nos orgulhamos individual e colectivamente. Assim somos, um grande colectivo militante, somos muitos e seremos mais.

O Partido Comunista Português é esse grande colectivo que age, que decide, que reflecte, sempre com a contribuição individual, num processo democrático sem paralelo. Assim é, assim está a ser e será na preparação do XX Congresso, que vamos realizar a 2, 3 e 4 de Dezembro, em Almada, sob o lema “PCP – com os trabalhadores e o povo, democracia e socialismo”.

Estamos a três meses do Congresso. Um congresso a pensar e a dar resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País, para desbravar os caminhos de um Portugal com futuro e que aponta o horizonte de uma sociedade nova. Vamos entrar na fase final, em que ainda mais se impõe a participação e o envolvimento de todo o Partido!

Um Congresso realizado no tempo presente, que honrará a história heróica do nosso Partido e afirmará a sua identidade, a validade e actualidade do seu Programa, do seu projecto libertador.

Lutamos por objectivos concretos e imediatos, para defender, repor e conquistar direitos, pela ruptura com a política de direita, por uma politica patriótica e de esquerda. Lutamos pela democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal. Lutamos sempre, todos os dias, em todas as frentes pela construção de uma sociedade livre da exploração e da opressão, pelo socialismo e o comunismo, sempre mas sempre, ligados aos trabalhadores e ao povo português, aos seus anseios, com aquela confiança e determinação que se alicerça na força da esperança, na força da luta, na força do povo.

INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL

4 Setembro 2016, Atalaia, Amora, Seixal

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Sobre a cessação de contrato de enfermeiros na ULSNA - DORPOR



Nota de Imprensa

Sobre a cessação de contrato de enfermeiros na ULSNA

O Secretariado da Direcção da Organização Regional de Portalegre do PCP (DORPOR) regista a sua enorme preocupação com a notícia da cessação do contrato de 3 enfermeiros na ULSNA.

Tendo acompanhado em permanência as questões relacionadas com a degradação do acesso aos cuidados de saúde, com visitas, reuniões e tomadas de posições sempre que necessário, o secretariado da DORPOR estranha que, existindo uma grave carência de recursos humanos que chegam a ser dramáticas em algumas categorias profissionais e especialidades clinicas, e nestas incluem-se os enfermeiros, se venha agora dispensar trabalhadores.

Maior estranheza nos causa, já que era essa a maior preocupação apresentada pela administração da ULSNA na reunião com a delegação do PCP, que integrava o deputado João Ramos, no passado dia 30 Maio. Neste quadro seria sempre de tomar as devidas medidas para acautelar os postos de trabalho existentes, e nunca de os extinguir.

O Secretariado da DORPOR relembra ainda, que a falta de enfermeiros na ULSNA é uma realidade concreta, apresentando-se como exemplo, a situação no bloco operatório, na sala de recobro da cirurgia, que equipada com material novo, está fechada…por falta de enfermeiros.

O Secretariado da DORPOR em articulação com o Grupo Parlamentar do PCP irá tomar medidas concretas de modo a clarificar esta situação por via de uma pergunta ao governo.

O Secretariado da DORPOR manifesta a sua solidariedade com os enfermeiros e restantes profissionais da saúde, garantes do serviço nacional de saúde, universal e gratuito, que leve cuidados de saúde de primeira qualidade a todos os cidadãos portugueses, nomeadamente aos que vivem no interior como é o caso de Portalegre.

O Secretariado da DORPOR do PCP

Portalegre, 30 de Junho de 2016

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Rua do Comércio, 46 — 7300 – 160 PORTALEGRE

Telefone e fax: 245 201 305
email: dorportalegre@pcp.pt

domingo, 26 de junho de 2016

Sobre a vitória da saída da União Europeia no referendo realizado no Reino Unido



Declaração de João Ferreira, membro do Comité Central do PCP

A vitória da saída da União Europeia no referendo realizado no Reino Unido constitui um acontecimento de enorme magnitude política para o povo do Reino Unido e também para os povos da Europa.

Representa uma alteração de fundo no processo de integração capitalista na Europa e um novo patamar de luta daqueles que se batem há décadas contra a União Europeia do grande capital e das grandes potências, e por uma Europa dos trabalhadores e dos povos.

O povo britânico decidiu de forma soberana os destinos do seu país. Esse facto não pode senão ser saudado e respeitado, tanto mais que este referendo se realizou num quadro de gigantescas e inaceitáveis pressões e chantagens, nomeadamente dos grandes grupos económicos transnacionais e do grande capital financeiro, bem como de organizações como o FMI, a OCDE e a própria União Europeia. Este resultado é assim, também uma vitória sobre o medo, as inevitabilidades, a submissão e o catastrofismo.

O PCP saúda em particular os comunistas britânicos e outras forças de esquerda que – rejeitando falsas dicotomias e combatendo discursos reaccionários e xenófobos – assumiram e afirmaram no referendo a voz defensora dos valores da democracia, dos direitos laborais e sociais, do progresso, da tolerância, da solidariedade e da cooperação entre os povos.

Não ignorando as múltiplas motivações que estiveram presentes na convocação deste referendo e numa campanha movida por elementos de carácter reaccionário e pela aberta manipulação política – dos quais o PCP combate e rejeita frontalmente –, os resultados do referendo expressam, antes de mais, a rejeição das políticas da União Europeia.

A todos aqueles que agora propagam irresponsavelmente a ideia de que estes resultados constituem um desenvolvimento negativo, o PCP afirma que o exercício de direitos democráticos e de soberania de um povo não pode ser visto como um problema. Pelo contrário, o referendo britânico é o reflexo de sérios e profundos problemas que já existem há muito e que resultam de um processo de integração corroído de contradições,

visivelmente esgotado e cada vez mais em conflito com os interesses e justas aspirações dos trabalhadores e dos povos.

O referendo britânico deve, assim, ser encarado como uma oportunidade para se enfrentarem e resolverem os reais problemas dos povos, questionando todo o processo de integração capitalista da União Europeia e abrindo um novo e diferente caminho de cooperação na Europa, de progresso social e de paz.

Quaisquer medidas ou manobras que ignorem o significado político deste referendo, que se refugiem em estigmas sobre o povo britânico, que tentem contornar ou mesmo perverter a vontade daquele povo ou que apontem para fugas em frente de natureza anti-democrática e de maior concentração de poder ao nível da UE, só contribuirão para o aprofundamento de problemas e contradições propícios ao desenvolvimento de posições e forças reaccionárias e de extrema-direita que crescem na Europa e contra as quais é necessário lutar. Forças e posições que se manifestaram no referendo britânico e que se alimentam das consequências das políticas da União Europeia cada vez mais antidemocráticas, anti-sociais e de opressão nacional.

Uma vez iniciado o processo de desvinculação do Reino Unido da União Europeia o PCP sublinha a necessidade e importância de medidas e acções no âmbito da política externa portuguesa que no novo quadro agora criado garantam os interesses nacionais, o prosseguimento de relações de cooperação económica mutuamente vantajosas com o Reino Unido e os interesses e direitos dos portugueses a trabalhar e a residir naquele país.

O PCP sublinha que o Conselho Europeu do próximo dia 28 e 29 de Junho deve, desde já, lançar as bases para a convocação de uma cimeira intergovernamental com o objectivo da consagração institucional da reversibilidade dos Tratados, da suspensão imediata do Tratado Orçamental e sua revogação, bem como da revogação do Tratado de Lisboa.

Num quadro em que se evidencia de forma incontornável que a União Europeia não responde às necessidades dos trabalhadores e dos povos, o PCP sublinha a necessidade de enfrentar corajosamente os constrangimentos decorrentes do processo de integração capitalista europeu e de, simultaneamente, se encetar um caminho de cooperação baseado em estados soberanos e iguais em direitos.

Em particular, o PCP realça a urgência e a necessidade de Portugal se preparar e estar preparado para se libertar da submissão ao Euro, que tantos prejuízos tem trazido ao País, de modo a garantir os direitos, o emprego, a produção, o desenvolvimento e a soberania.

Gabinete de Imprensa - Partido Comunista Português
24.06.2016

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Marcha em defesa da ESCOLA PÚBLICA - 18 de Março - Lisboa


Jerónimo de Sousa manifestou, no domingo, a solidariedade do PCP com a «Marcha em Defesa da Escola Pública», marcada para o próximo dia 18, no Parque Eduardo VII, em Lisboa. 

Para o dirigente comunista, esta é uma «luta de todos – dos professores e dos trabalhadores das escolas, dos alunos, dos pais, das populações, do nosso povo – pelo direito ao ensino e à educação para todos, por uma escola pública de qualidade e inclusiva, com mais financiamento, mais meios humanos e mais condições materiais e pedagógicas». 

Esta luta, realçou ainda o Secretário-geral do Partido, é «parte integrante do combate que vimos travando em defesa das funções sociais do Estado». 

O PCP apela à participação de todos, pois a «educação e o ensino não são um negócio, mas um direito de todos os portugueses».

Avante! 9.Junho.2016

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Aprovadas medidas na defesa do bem-estar dos animais



INTERVENÇÃO DE ANA MESQUITA NA ASSEMBLEIA DE REPÚBLICA

Sobre a aprovação do Projecto de Lei na Assembleia da República que proíbe o abate de animais errantes como forma de controlo da população, Ana Mesquita afirmou que "é um dia bom para quem defende o bem estar animal, porque com esta aprovação, caminhamos para o fim do abate sistemático de animais em canis e gatis municipais."

9 Junho 2016

terça-feira, 10 de maio de 2016

15º Encontro Regional de Quadros do Alentejo do PCP - Avis (resumo)



Intervenção de João Dias Coelho, membro da Comissão Política do Comité Central, 15º Encontro Regional de Quadros do Alentejo do PCP

"Lutemos pois por um Alentejo com futuro, por uma sociedade mais justa e mais fraterna"

A Direcção Regional do Alentejo do Partido, quando decidiu convocar este nosso 15º Encontro de Quadros, fez a opção de centrar o debate e a reflexão em torno do reforço do Partido, da sua organização e intervenção.

Fazemo-lo conscientes que o Partido, existe para servir os trabalhadores e o povo, para lutar pela melhoria das condições de vida e de trabalho daqueles que aqui vivem e trabalham, existe para lutar pela política patriótica e de esquerda, pela democracia avançada, pela construção de uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem – o socialismo e o comunismo.

Vivemos e trabalhamos numa região onde quatro anos de governo PSD/CDS, aprofundando décadas de política de direita, deixou marcas negativamente profundas nas condições de vida dos que vivem e trabalham nesta vasta região. Os cortes nos salários, nas reformas e pensões, o aumento da exploração, o ataque aos direitos dos trabalhadores, o aumento das falências e insolvências, do desemprego, a quebra acelerada de apoios sociais, a contínua degradação dos serviços públicos, o crescimento da emigração, a redução substancial dos apoios à produção cultural e ao movimento associativo, as limitações legislativas e financeiras impostas ao poder local democrático (incluindo as extinção de freguesias) conheceram novos e agravados saltos quantitativos e qualitativos desde a 4ª Assembleia Regional do Alentejo realizada em Novembro de 2011, contribuindo fortemente para o continuo e acelerado processo de empobrecimento e despovoamento na região.

Vivemos, trabalhamos e lutamos numa região que segundo dados estatísticos, o processo de envelhecimento, continua de forma acelerada, a taxa de natalidade é altamente reduzida, a densidade populacional por quilómetro quadrado diminui a cada ano que passa, a taxa bruta de mortalidade é a mais alta do País, a taxa de desemprego é a quarta maior do continente, os inactivos são mais 11% que a média nacional, o índice de população empregada está muito abaixo da média nacional, o valor médio dos salários e das pensões de reforma, o número de centros de saúde, de médicos e enfermeiros são dos mais baixos do país.

Este é o Alentejo real, um Alentejo que, pela incúria dos sucessivos governos da política de direita, continua sem ter um verdadeiro plano de desenvolvimento integrado que aproveite e valorize as potencialidades existentes na agricultura, na industria, na pesca, no turismo, que crie emprego com direitos, que fixe população e promova o povoamento.

Podemos com rigor e orgulho dizer, que, se o processo de degradação da situação demográfica, económica e social da região não é ainda mais grave, isso deve-se em larga medida ao trabalho do poder local democrático, à luta dos trabalhadores e do povo alentejano, aos trabalhadores da cultura, às centenas de dirigentes associativos, a todos aqueles que não desistiram de ver no nosso Alentejo um futuro melhor.

Firmemente convictos que só com o aproveitamento do maior bem que são os alentejanos e alentejanas, só com o aproveitamento das potencialidades da base económica da região, com a criação de emprego, com um poder local democrático forte dotado dos meios financeiros necessários, com serviços públicos em qualidade e quantidade na saúde, na educação, na cultura, na justiça e segurança social é possível vencer o atraso a que fomos remetidos, ao Partido cabe continuar a mobilizar para luta pelo desenvolvimento e progresso do Alentejo.

Conscientes que a defesa do poder local democrático – municípios e freguesia - é indissociável da luta contra os projectos de municipalização da educação, da saúde, da cultura e segurança social, da verticalização e privatização dos sistemas de água bem como da exigência do cumprimento da lei das finanças locais, e da acção firme e determinada com vista à melhoria da qualidade de vida das populações e das condições de trabalho dos trabalhadores das autarquias, do envolvimento e participação das populações e do movimento associativo, da valorização e divulgação da obra e do trabalho realizado com honestidade e competência ao serviço das populações.

Consideramos que a falta de um poder regional democrático, é uma falha grave, e que não se resolve o problema com paliativos como a pretensa democratização das CCDR, queremos aproveitar esta oportunidade para saudar de novo o Congresso do AMALENTEJO e as decisões por si tomadas, designadamente a criação da Comunidade Regional do Alentejo, e incentivar a acção pela concretização das suas conclusões.

É tudo isto que nos anima, a querer ter um Partido mais forte, com maior capacidade de agir para transformar.

Decorridos cinco anos, desde a 4ª Assembleia Regional, desenvolveram imensas lutas dos trabalhadores e das populações, com greves, paralisações, concentrações, manifestações que tendo o movimento sindical unitário na primeira linha da luta, encontrou nas comissões de utentes dos serviços públicos, no movimentos unitário dos reformados importantes expressões organizadas da luta que envolveu milhares de trabalhadores de alentejanos e alentejanas.

Durante este período desenvolveu-se uma intensa actividade do Partido em torno do seu reforço; das comemorações do seu aniversário nas quais se relevam os almoços regionais de âmbito Alentejo; o debate sobre a defesa da água pública e os recursos hídricos; as comemorações do centenário do nascimento do camarada Álvaro Cunhal na qual se destaca o grande espectáculo Alentejo promovido por um largo conjunto de estruturas unitárias; as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril e da Reforma Agrária; a realização de desfiles, sessões e tribunas públicas e concentrações de afirmação do Partido e da política patriótica e de esquerda; a presença Festa do Avante!, cujo conteúdo decorativo, exposicional, cultural, gastronómico nos enche de orgulho, entre tantas outras realizações, que, exigiram do colectivo partidário, um enorme esforço colocando à evidência as debilidades, mas também e sobretudo as enormes potencialidades e prestígio do Partido junto dos trabalhadores e das massas populares.

Neste período realizaram-se quatro actos eleitorais de grande exigência, que envolveram e mobilizaram centenas de activistas, no contacto directo com milhares de pessoas, esclarecendo e mobilizando para o voto na CDU.

Nas Eleições para o Parlamento Europeu, a região deu um importante contributo para o resultado eleitoral da CDU.

Nas eleições autárquicas de 2013, a CDU no Alentejo passou de treze Câmaras onde era a força determinante para dezanove. Tratou sem prejuízo das perdas então verificadas (Crato, Nisa e Vendas Novas) de um salto enorme com a reconquista de oito novos municípios (Monforte, Vila Viçosa, Alandroal, Cuba, Alcácer do Sal, Grândola e as duas capitais de distrito Évora e Beja), tendo conquistado 94 presidências de junta de freguesia (num quadro de redução de freguesias), abrangendo mais população e território, criando assim melhores condições para o desenvolvimento da luta em defesa dos direitos das populações.

Salto que demonstrando o prestigio social e político do Partido, o valor do seu projecto autárquico, evidência e confirma as enormes possibilidades de crescimento eleitoral da CDU e do PCP e coloca ao Partido e aos seus aliados na CDU novas e acrescidas responsabilidades que se manifestam não só no poder local como em toda a sua actividade.

Nas eleições para a Assembleia da República de 4 de Outubro de 2015, cujos resultados asseguraram a derrota política de PSD/CDS e para a qual a região no seu conjunto deu um importante contributo, com as expressivas votações na CDU, para a manutenção dos dois deputados eleitos pelos círculos de Évora e Beja, confirmando a CDU e o PCP como uma grande força política e eleitoral na região.

Nas eleições para a presidência da república em 24 de Janeiro último, cujo resultado da candidatura de Edgar Silva, ficou aquém do valor que o seu projecto exigia, teve na região em termos percentuais valores acima da média nacional.

Queremos saudar o Partido, o colectivo partidário, pois só com um Partido como o nosso só com o empenhamento militante de centenas de camaradas, foi possível concretizar tantas e exigentes tarefas.

Mas todos sabemos, que precisamos de mais Partido para agir, para esclarecer, para organizar e mobilizar os trabalhadores e as massas populares para a luta para defender, repor e conquistar novos direitos.

O Partido não é imune, à realidade imposta pela política de direita. Os fenómenos de despovoamento, de envelhecimento, de emigração, reflectem-se no Partido. Decorridos quatro anos desde a 4ª Assembleia Regional do Alentejo, o Partido conta hoje nas quatro organizações regionais com cerca de 9000 camaradas enquadrados em mais de 150 organismos ou comissões.

O número de membros do Partido em organismos manteve-se no essencial, No plano da estruturação, continua a verificar-se a falta de Comissões Concelhias e de Freguesia em alguns concelhos e em muitas freguesias, ao mesmo tempo verificamos que não evoluímos o necessário no plano da organização nas empresas e locais de trabalho, questão decisiva para um Partido com identidade de classe do nosso.

Se é verdade que a realidade do mercado de trabalho se altera todos os dias, e que o peso dos serviços tende aumentar na região, também é verdade que no Alentejo existe a maior concentração operária no sector mineiro 3000 trabalhadores, o maior complexo petroquímico e portuário do país com mais de mais de 2000, importantes, empresas do sector da aeronáutico, empresas agrícolas entre tantas outras que empregam milhares de trabalhadores com altos níveis de precariedade e de exploração.

O Partido tem de dar resposta a esta realidade, partindo do princípio que dificuldade não é impossibilidade e por isso temos de prosseguir o trabalho, com persistência e determinação de forma a aumentarmos a nossa influência e organização junto da classe operária e dos trabalhadores.

Verificamos igualmente que o Partido tem um alto índice de camaradas reformados, mas também aqui não evoluímos tanto quanto seria necessário na constituição de células de camaradas reformados com vista à intervenção junto desta importante camada.

Mas camaradas, apesar das insuficiências e dificuldades, avançámos, e melhorámos muito o nosso trabalho. Há hoje uma consciência mais alargada da importância fundamental da organização do Partido, mas com verdade se deve dizer que nem os avanços, nem a compreensão são homogéneas.

A relação dialéctica entre organizar para intervir e lutar, não foi ainda suficientemente interiorizada pelo conjunto dos membros do Partido, dos organismos de direcção e dos responsáveis

Como toda a experiência de 95 anos de vida do Partido demonstra, o reforço do Partido, da sua acção e intervenção, a sua permanente ligação aos trabalhadores e ás massas populares, aos seus anseios e aspirações, indicando, organizando e dirigindo a luta é a pedra angular para o alargamento da sua influência social, política e eleitoral e para a superação do caminho de desastre nacional e regional que a política de direita, o pacto de agressão desenvolvido por PSD e CDS associados ao grande capital nacional e estrangeiro nos conduziram.

Ligar, mais e mais o Partido à vida e ao meio onde cada organização intervém, conhecer a realidade, os problemas, anseios e aspirações dos trabalhadores e do povo e sobre eles intervir é uma questão vital para um Partido como o nosso. Isto pressupõe que em cada reunião de um dado organismo se discutam os problemas concretos, tomando posição sobre eles e organizando a acção.

Vivendo, trabalhando, organizando e lutando numa região que está cada vez mais despovoada e envelhecida, coloca-se ao Partido o desafio de recrutar, mais jovens com relevo para os trabalhadores, integrando cada um dos novos camaradas em organismos, atribuindo-lhes uma tarefa, ao mesmo tempo que precisamos de aproveitar mais e melhor a experiência, capacidade e disponibilidade dos nossos camaradas reformados para a acção dirigida a esta importante camada social, e a acção institucional de centenas de eleitos autárquicos, a intervenção de dezenas de dirigentes e activistas no movimento sindical e no movimento associativo popular, para alargar a influência social, política e eleitoral do Partido.

Aumentar a militância é uma questão fundamental, cada membro do Partido, cada membro dos organismos de direcção aos diversos níveis deve ver na sua acção integrada no colectivo um valor maior, uma expressão de participação democrática na vida do Partido, um contributo para levar mais longe a luta por uma região e um país melhor e justo.

A militância num Partido como o nosso, tem um valor intrínseco, ela é uma expressão da própria consciência, da vontade, ela forma-nos para a acção revolucionária, ela é fundamental para dar corpo às decisões colectivamente tomadas, ela deve orgulhar-nos, ela deve ser um factor de alegria.

O trabalho colectivo, tendo como primeira e fundamental expressão a direcção colectiva, constitui um princípio básico do nosso Partido.

O trabalho colectivo no Partido, tem como principais aspectos: a compreensão e a consciência de que a realização com êxito das tarefas se devem aos esforços conjugados e convergentes de todos os militantes que directa ou indirectamente, intervêm na sua realização, na mobilização dos esforços, do trabalho de apoio de todos os militantes chamados a intervir na realização de qualquer tarefa.

É pois necessário fortalecer o trabalho colectivo, considerando que ele, não invalida antes pressupõe a responsabilidade individual. Isto é, cada membro do organismo, cada militante trazendo ao Partido os problemas, os anseios e aspirações dos trabalhadores, os problemas de organização, deve contribuir com a sua participação regular, para a discussão e as decisões, ter uma tarefa concreta e dela prestar contas.

No actual quadro político, as tarefas que temos pela frente, não se estreitam, antes se alargam e se tornam mais complexas e exigentes.

Sabemos, todos que o grande capital, a ideologia dominante, têm na mira o Partido, e têm-no porque sabem que é aqui que está o verdadeiro obstáculo ao prosseguimento da sua política de exploração, e por isso tudo fazem e tudo farão para impedir o fortalecimento e o crescimento da influência, social, política e eleitoral do Partido.

A ofensiva ideológica contra o Partido é imensa, a mentira, a ocultação e distorção da mensagem são pão de cada dia. Tal ofensiva não vai abrandar.

Para lhe respondermos, temos que contar em primeiro lugar com o grande colectivo partidário, com cada homem e mulher que o compõe, fortalecer a nossa ligação aos trabalhadores e ao povo, fortalecer a nossa organização e intervenção, as organizações unitárias dos trabalhadores, usar bem os meios de propaganda centrais, melhorar os meios de informação e propaganda locais e as comunicações electrónicas, ter mais iniciativa regional, concelhia e local, alargar a leitura e difusão do órgão central do Partido – o Avante! – dotar, o Partido dos meios financeiros para o desenvolvimento da actividade revolucionária.

Temos a decorrer, uma campanha de difusão do Avante!, este é um momento para que cada comissão concelhia e de freguesia, cada célula de empresa, olhando não para as dificuldades, mas sim para as potencialidades já que apenas 8% dos membros do Partido no conjunto da região o adquirem, veja como alargar a sua venda, responsabilizando camaradas em concreto, assumindo que cada quadro do Partido o deve adquirir, considerando-o como um instrumento indispensável e insubstituível para o seu trabalho político revolucionário e realizando vendas militante nas ruas.

Precisamos de aumentar as receitas do Partido, desde logo aumentar o número de camaradas a pagar a sua quota, criando e alargando a rede de camaradas que recolhem a quotização, mas precisamos também de sensibilizar cada camarada para o aumento do valor da quota.

É preciso que cada organismo, cada colectivo, olhe para os membros do Partido vendo nele, não um número, mas um militante, comunista, procurando que cada um contribua, para o fortalecimento do Partido.

Tal como comprova toda a história do Partido, os membros do Partido e o povo são generosos e as demais das vezes, a dificuldade reside nos organismos de direcção e nos responsáveis, na nossa incapacidade de falar e contactar. A recente e ainda em curso acção de contactos, actualização de dados e aumento da militância, permitiu mais uma vez conformar que quando falamos com os membros do Partido, eles disponibilizam-se para regularizar a situação da quotização e alguns a dar os seu contributo para tarefas concretas.

Mas a par e parte indissociável das medidas para o reforço do Partido, é a luta por melhores condições de vida e de trabalho para todos quantos trabalham, lutam e amam o nosso Alentejo, é a luta para, defender, repor e conquistar direitos, é a luta pela concretização de um plano imediato de intervenção económica e social para a região, é a luta por um poder local democrático mais forte, é a luta em defesa da água pública, é a luta contra a municipalização da educação, da saúde, da cultura e da segurança social, é a luta pelo cumprimento da lei das finanças locais e pela melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e das populações, é a luta em defesa da Constituição da Republica cujos 40 anos agora se comemoram, é a luta em defesa do regime democrático, é o trabalho e a luta pela unidade dos democratas e patriotas que sinceramente aspiram a uma ruptura com a política de direita e à concretização de uma política alternativa patriótica e de esquerda, única capaz de abrir caminho ao desenvolvimento soberano do País

Seguros que só com ruptura com a política de direita e com uma política patriótica é possível o desenvolvimento e progresso da região, conscientes que só com um Partido mais forte, mais interventivo e estruturado, ligado aos trabalhadores e ao povo, estamos em condições de enfrentar o futuro com confiança, lutando por politicas que valorizem o trabalho e os trabalhadores, as reformas e pensões, apostem na criação de emprego com direitos e no combate à precariedade laboral, aumentem a produção, desenvolvam e dinamizem a base económica regional, aproveitem cabalmente os fundos comunitários, melhorem as acessibilidades, valorizem o poder local reponham as freguesias roubadas ao povo, apelamos a todos e a cada para que de forma empenhada levemos à prática as decisões que tomarmos.

É com toda a confiança que encaramos o futuro e a batalhas políticas. E temo-la porque confiamos nos trabalhadores e no povo, porque temos uma acção coerente sempre ao serviço dos explorados e oprimidos, e por isso consideramos que as eleições autárquicas a realizar em 2017, constituirão um importante momento e oportunidade para pelo reforço da CDU, afirmar e valorizar o poder local democrático e defender as populações e seus direitos. Apresentar candidaturas da CDU a todos os municípios e freguesias alentejanas, a par do reforço da nossa votação e do número de eleitos, com a manutenção e reforço do número de presidências de câmaras municipais e de juntas de freguesias constituem os principais objectivos para estas eleições.

Para cumprirmos com êxito todas estas tarefas, o Partido, o seu reforço orgânico, da sua capacidade de intervenção e acção, são a peça chave para o aumento da influência social, política e eleitoral do nosso Partido.

Lutemos pois por um Alentejo com futuro, por uma sociedade mais justa e mais fraterna.

Viva o PCP



Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral , 15º Encontro Regional de Quadros do Alentejo do PCP

"É imperioso quebrar o ciclo de submissão e subordinação do País à União Europeia"

Tínhamos como objectivo central deste 15º. Encontro de Quadros do Alentejo do PCP o debate e a reflexão sobre o Partido e o seu reforço nos mais diversos domínios da sua acção e intervenção no território do conjunto das nossas quatro Direcções Regionais.

O debate aqui realizado revelou quanto importante para continuar a luta em defesa dos trabalhadores e das populações do Alentejo termos um Partido mais forte, mais activo e interventivo, capaz de conduzir em toda esta vasta região essa luta com proposta e acção nas instituições, nas empresas, nos campos e locais de trabalho, no movimento sindical e nas organizações sociais e culturais, lá em cada concelho e em cada freguesia onde é preciso enfrentar os problemas e dando-lhes resposta.

Vieram aqui as nossas dificuldades, nomeadamente no plano da organização partidária, particularmente ao nível dos organismos de direcção dos concelhos, das freguesias e nas células de empresa e locais de trabalho, com reflexos na nossa capacidade de intervenção. Dificuldades e deficiências que não escondemos, mas também aqui se evidenciaram as potencialidades para lhes dar resposta.

Foi um bom Encontro. As linhas de trabalho aqui definidas vão na direcção certa e tendo em conta a realidade e necessidades da nossa Organização no Alentejo. Elas correspondem e vão ao encontro das orientações para reforço do nosso Partido que estão definidas na Resolução do Comité Central «Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte».

Reforço do Partido com a finalização da acção de contacto com os membros do Partido, criando melhores condições para uma maior, mais profunda e mais intensa acção, envolvendo mais militantes, criando novos organismos e ganhando mais militantes para assumir mais e novas responsabilidades.

Reforço do Partido que passa pela adesão de novos militantes e pela sua integração nas organizações do Partido, visando o seu rejuvenescimento. Pela elevação da militância em geral, lançando novos quadros nas tarefas concretas e de direcção do trabalho. Reforço que passa por essa grande e decisiva questão que é a da imperiosa necessidade de melhorar a organização do Partido nas explorações agrícolas, dando prioridade e tomando medidas concretas para recrutar e organizar as de maior concentração de trabalhadores, mas igualmente nas empresas industriais e de exploração mineira, como aqui foi chamado a atenção. Sim, temos um grande complexo industrial petroquímico, temos outras unidades importantes, temos empresas mineiras que envolvem mais de três mil trabalhadores, mas também grandes concentrações na área do sector dos serviços e do Poder Local em relação às quais precisamos de dar atenção.

É lá na empresa, no local de trabalho que começa e acaba o conflito de classes, é lá que se libertam energias para a luta, se ganha consciência social e surgem novos quadros para o movimento sindical unitário e para o Partido.

Reforço do Partido que passa pela reestruturação do trabalho junto de outras camadas, sectores sociais e áreas de intervenção específicas na área da cultura e junto dos intelectuais, e com atenção redobrada para o nosso trabalho junto dos reformados e pensionistas pela defesa e melhoria dos seus direitos e condições de vida.

Reforço do Partido que é estruturar a organização e melhorar o seu funcionamento também nas organizações locais, criando novos núcleos. Reforço que passa pelo alargamento do número de comissões concelhias e de freguesia.

Reforço do Partido que é dinamizar a divulgação da imprensa partidária e a informação e a propaganda, que é concretizar a campanha de difusão do Avante! iniciada no mês de Fevereiro.

Reforço do Partido que é defender e reforçar a sua independência financeira, que passa pelo pagamento regular e actualização do valor das quotas.

O reforço da organização do Partido é daquelas tarefas exigentes, difíceis, que não dá palco, nem notícia, mas é a tarefa mais realizadora, a que mais garante o Partido que temos, o Partido que somos.

Reforço do Partido que passa desde já pela preparação do XX Congresso do PCP que se realizará em Almada nos dias 2, 3 e 4 de Dezembro, sob o lema «PCP. Com os trabalhadores e o Povo. Democracia e Socialismo».

Dir-se-á que o Congresso ainda está longe. Mas no PCP não é assim, os três dias de Dezembro são o culminar de um grande trabalho de preparação, de envolvimento e participação dos membros e das organizações do Partido!

Estamos já na primeira fase de preparação do Congresso em que, até final de Maio, se fará a discussão colectiva em todo o Partido sobre as questões fundamentais a que o Congresso deve dar resposta, sobre as matérias estruturantes a integrar nas Teses-Projecto de Resolução Política, que serão elaboradas na segunda fase até Agosto. Seguir-se-á, a partir de Setembro, com a terceira fase, a eleição dos delegados que representarão as organizações no Congresso e a discussão com a contribuição aberta a todos os militantes das Teses-Projecto de Resolução Política a levar ao Congresso, o documento que integrará a análise e as orientações para a intervenção futura.

Não partimos do zero! Temos o Programa do Partido “Uma democracia avançada – os valores de Abril no futuro de Portugal” e os Estatutos do Partido que, aperfeiçoados em anteriores congressos, o Comité Central considerou responderem às necessidades actuais, não se justificando a sua alteração e temos todo o nosso inigualável património de acção.

Neste processo a reflexão e contribuição individual são da maior importância, neste grande colectivo partidário que somos, neste Partido que pelo seu ideal e projecto, mas também pelo seu incomparável funcionamento democrático marca a diferença na sociedade portuguesa.

Vamos construir com êxito e a participação do colectivo partidário o nosso XX Congresso, e ao mesmo tempo vamos ter que dar resposta à luta de todos os dias.

Sim! A vida impõe-nos que não fechemos para congresso, mas não o podemos secundarizar perante as tarefas que temos em mãos.

Temos travado nos últimos tempos importantes combates no plano político e social.

Travámos também importantes combates eleitorais que permitiram reforçar a CDU nas Autarquias locais e ampliar a sua influência de forma significativa no plano Regional. Demos um contributo decisivo, no plano estritamente partidário, mas também no plano da luta de massas para conter a brutal ofensiva das troikas nacional e estrangeira, zelosamente dirigida e aplicada pelo governo do PSD/CDS. Contribuímos com o nosso reforço eleitoral em 4 Outubro, e de imediato, com a nossa iniciativa e proposta de solução política para pôr fim a uma governação que se preparava para continuar a sua política de exploração e empobrecimento.

Vivemos hoje uma nova fase da situação política do País, mas os combates em defesa dos trabalhadores e do nosso povo não só são necessários, como a vida nos impõe dar resposta a novas tarefas e problemas.

Temos pela frente muito trabalho. Desde logo a continuação da luta em defesa, reposição e conquista de direitos dos trabalhadores e do povo.

Este é um objectivo que é preciso prosseguir, com iniciativa própria no plano das instituições, mas trabalhando igualmente para estimular a imprescindível iniciativa, participação e luta dos trabalhadores e das massas populares contra a precariedade e o desemprego, os baixos salários e as baixas reformas, e os altos níveis de pobreza.

No plano das instituições valorizando e dando força às nossas iniciativas legislativas na Assembleia da República, com um conjunto de propostas que vão da criação de um Plano Nacional de Combate à Precariedade Laboral, ao combate à desregulação do horário de trabalho, à reposição do princípio do tratamento mais favorável do trabalhador, à eliminação da caducidade dos contratos colectivos de trabalho, à iniciativa legislativa de consagração das 35 horas como jornada semanal de trabalho para todos os trabalhadores.

Propostas para promover a estabilidade de emprego, cumprindo e fazendo cumprir o direito ao trabalho e à segurança no emprego que são devidos e que se inserem na campanha nacional do PCP “Mais direitos, mais futuro – não à precariedade” que estamos a desenvolver em todo o País.

Nesta batalha a que demos prioridade, está também a luta pelo aumento real dos salários e das reformas, não apenas pela imediata reposição de todos os salários, rendimentos e direitos roubados nestes últimos anos, mas igualmente pela subida imediata do salário mínimo nacional para os 600 euros e por um aumento extraordinário das pensões de reforma em 10 euros, para assegurar que ao descongelamento das pensões se junte uma trajectória de recuperação do seu real valor.

É por tudo isto também que daqui expressamos a nossa solidariedade à Semana Nacional de Luta, de 16 a 20 de Maio, decidida pela CGTP e apelamos ao empenhamento dos trabalhadores para garantir o seu êxito!

Temos também a batalha pela afirmação do projecto da CDU e da sua validade e actualidade. Uma batalha que passa nesta fase pela prestação de contas às populações do trabalho realizado pelos eleitos da CDU e por uma mais estreita ligação aos seus problemas e à sua solução. Uma batalha que afirme o projecto distinto da CDU e o seu valor, mas que confirme também a nossa inabalável decisão da defesa da regionalização contra todas as falácias que visam consolidar as actuais estruturas desconcentradas do Estado e não verdadeiros órgãos de poder regional representativos e eleitos das populações, mas igualmente a nossa determinação de combater qualquer tentativa de dar como adquirida a extinção das freguesias que o anterior governo do PSD/CDS impôs.

E por isso vamos concretizar uma iniciativa legislativa para devolver as freguesias às populações.

Temos a batalha em defesa do desenvolvimento do Alentejo, pela valorização dos seus recursos, pela criação de emprego, pela defesa e melhoria dos serviços públicos.

Batalhas que serão concretizadas, tanto mais cedo, quanto mais força tiver o PCP!

Estamos hoje, com o afastamento do governo PSD/CDS e da alteração da composição da Assembleia da República, onde os partidos que suportavam o anterior governo estão agora em minoria, em melhores condições para continuar a luta que temos vindo a desenvolver de exigência de ruptura com a política de direita e pela concretização de medidas a favor dos trabalhadores e do nosso povo.

Com a nossa iniciativa que conduziu à “Posição conjunta do PS e do PCP sobre solução política” que permitiu já a tomada de algumas medidas de inversão do rumo que tem sido seguido por sucessivos governos, particularmente neste últimos quatro anos.

Sabemos que estamos aquém do que é necessário na resposta às justas reivindicações de reposição de direitos e melhoria de condições de vida dos trabalhadores e do povo, e as opções do governo não integram a solução de fundo que, a nosso ver, o País precisa para enfrentar os graves problemas com que está confrontado, mas não subestimamos, nem desprezamos os avanços já conseguidos.

Sabemos onde estamos! Felizmente não sabemos onde estaríamos se o Governo PSD/CDS pudesse ter continuado a sua obra de destruição de direitos, de destruição de vidas!

Temos um Orçamento do Estado diferente dos Orçamentos dos últimos anos que inclui medidas positivas de compromissos assumidos na “posição conjunta” de reposição de direitos e rendimentos extorquidos nestes anos de PEC e de troika, e um conjunto de propostas no domínio dos impostos, do apoio aos desempregados de longa duração e medidas de protecção social, com o aumento dos abonos de família, Complemento Solidário para Idosos, mas também nas áreas da educação e da saúde, entre outras, que vão ao encontro de aspirações mais imediatas dos trabalhadores e das populações.

É por isso que vemos o grande capital nacional e transnacional, e as forças políticas que os servem na União Europeia e aqui em Portugal, a manifestar a sua oposição e a resistir a toda e qualquer medida que possa reverter o saque que promoveram aos rendimentos e direitos dos trabalhadores e do povo nestes últimos anos.

Não se conformam com a ideia que tinham como certa que tudo o que tinham cortado em salários e em direitos, nivelando por baixo condições de vida e de trabalho era para vigorar para todo o sempre.

Foi o folhetim do Orçamento com as inaceitáveis pressões da União Europeia, acompanhadas e ampliadas pelo PSD e CDS, exigindo que tudo ficasse como dantes e exigindo sempre mais e mais medidas ditas de austeridade, mas que são um saque ao nosso povo.

Tem sido essa despudorada campanha dos inevitáveis planos B da União Europeia ao FMI que os partidos do anterior governo aplaudem exigindo a manutenção da política de corte nos salários e nas reformas, de novas medidas para piorar legislação laboral, de manutenção, senão do agravamento dos impostos sobre o trabalho e sobre o consumo.

Nestes últimos dias foram a manobra e a intriga do PSD e CDS à volta Programa Nacional de Reformas e com o Programa de Estabilidade e agora já ensaiam uma nova guerra à volta de umas décimas das previsões do défice para se justificarem novas medidas de exploração e empobrecimento.

Em relação ao Programa Nacional de Reformas e ao Plano de Estabilidade, um e outro, instrumentos de ingerência e controlo da União Europeia sobre os Estados Membros que resultam dos mecanismos do Tratado Orçamental, do designado Semestre Europeu e da governação económica, a intriga e a chicana política montadas pelo CDS a pretexto da recusa do PCP de aprovação de um seu Projecto de Resolução sobre os ditos Programas é digno de registo.

É conhecida a recusa e denúncia do PCP acerca destes Programas que são impostos pela União Europeia para aplicar a política que todos conhecem e sentem e que, nos últimos anos, conduziu ao agravamento da crise, ao aumento do desemprego e da precariedade, ao corte e redução nos salários, à emigração em massa e ao alastramento da pobreza.

Quiseram confundir tudo e de tanto manobrar a pretexto de uma hipotética contradição do PCP, o que ficou claro em todo este processo foi a coerência do PCP ao reafirmar a sua posição de rejeição destes instrumentos pelo que significam de condicionamento das opções soberanas do País e falsidade dos propósitos do CDS com os seus golpes de ilusionismo político.

O PCP não só reafirmou a sua posição de rejeição destes instrumentos, como alertou para as manobras dos que utilizam previsões, opções e orientações do Programa de Estabilidade e do Plano Nacional de Reformas como pretextos para novas operações de chantagem e pressão para revogar medidas de reposição de direitos e rendimentos entretanto tomadas, e retomar a política do anterior governo e nas quais se enquadra a iniciativa do Projecto de Resolução do CDS.

O mesmo CDS co-responsável no anterior governo, que tem a sua assinatura no Pacto de Agressão, que subscreve de cruz as imposições, os constrangimentos, as regras, os tratados leoninos da EU, que não só esteve de acordo, como foi co-autor no corte nos salários, nos direitos, nas reformas e pensões, no aumento da carga fiscal, vem com ar de anjinho propor a rejeição do Programa de Estabilidade que é filho do Semestre Europeu e do Tratado Orçamental que o CDS subscreveu. Deixa cair a máscara, porque na tal resolução associava e propunha que todas as malfeitorias feitas durante 4 anos fossem restauradas e intensificadas. Não queriam mais nada! Estarão de acordo que o nosso Partido fez bem em derrotar tal intenção do CDS!

O Plano Nacional de Reformas e o Programa de Estabilidade enviado à Comissão Europeia são da responsabilidade do Governo. O PCP não os aprovou. São documentos que apenas responsabilizam quem os elaborou e apresentou.

São documentos que contêm uma contradição que se revelará no futuro, ao tentar compatibilizar a aceitação dos constrangimentos, condicionalismos e orientações fortemente restritivas da União Europeia, nomeadamente no plano financeiro, com a devolução dos direitos e rendimentos e o crescimento.

Para se poder dar continuidade às medidas de carácter positivo implementadas nos últimos meses, levando-as mais longe, são necessários recursos financeiros, para aumentar o investimento público, para apoiar a produção nacional, para valorizar salários e pensões e que podem e devem ser libertados, rompendo com esses constrangimentos, assumindo nomeadamente a opção pela renegociação da dívida pública e por uma política fiscal alternativa que tribute de forma mais adequada os grupos económicos, as grandes empresas e as grandes fortunas.

Por isso temos afirmado que, na perspectiva do PCP, a solução para os problemas nacionais não é a submissão às imposições da União Europeia, mas recusar o caminho que nos querem impor de regresso às políticas do governo anterior do PSD/CDS.

Para o PCP é imperioso quebrar o ciclo de submissão e subordinação do País à União Europeia, ao directório das grandes potências e ao Euro com o seu rol de imposições e os seus instrumentos de dominação, como são o Tratado Orçamental, o Pacto de Estabilidade, a Governação Económica que têm conduzido o País à situação de desastrosa debilidade e atraso.

Tal como exige a indispensável libertação de Portugal do poder dos grupos monopolistas e dos senhores da terra na zona do latifúndio, a retoma do controlo público dos sectores estratégicos, nomeadamente da banca, transformando-os em alavancas para o desenvolvimento do País.

Afirmar um Portugal livre e soberano, um País que comanda o seu destino, um povo que constrói o seu próprio futuro é um combate que cada vez mais se impõe travar com coragem e determinação.

Veja-se o que se tem passado com a banca. Alguns com muita responsabilidade pela grave situação a que se chegou com a privatização da banca falam agora na necessidade de defender a independência nacional.

Sim, é preciso defender a independência nacional, mas não é com mais privatizações e com a venda do sector financeiro aos megabancos estrangeiros, seja qual for o país de origem. Não é com aceitação passiva da supervisão e a resolução bancárias únicas da União Europeia.

É com a recuperação do controlo público da banca comercial e de outras instituições financeiras como o PCP defende.

Hoje poderíamos perguntar – o que é que País ganhou com as privatizações? Nada! O que é que ganharam os pequenos e médios empresários? Nada, também, porque a banca privada em Portugal nunca fez parte de nenhuma solução, pelo contrário, fez sempre parte dos problemas mais graves do País.

Ao contrário da tese desenvolvida pelos arautos da política de direita, de que a privatização da banca constituiu um factor de modernização e de desenvolvimento, o que a vida confirmou foi que essa privatização permitiu uma das maiores transferências de dinheiro público para mãos privadas. Segundo o próprio BCE, o Estado português, no período que vai de 2008 a 2014, gastou 19,5 mil milhões de euros (11,3% do PIB), para cobrir os desmandos dos banqueiros portugueses, e ainda falta acrescentar os cerca de 3.000 milhões entretanto gastos na operação de entrega do Banif ao Santander.

Os acontecimentos verificados na banca nacional, falências do BPN, BPP, BES e Banif e a sua posterior entrega a grupos estrangeiros ou como poderá vir a acontecer com o Novo Banco caso não seja travado o processo de venda em curso, confirmam com grande clareza a posição e proposta do PCP. A banca ou é pública ou não é nacional! O problema e o dilema não é o de saber ou questionar se os centros de decisão da banca vão ser transferidos para Espanha, Angola, França, Alemanha ou para a Patagónia. O problema e o dilema é saber se ficam cá ou são transferidos para fora!

Estamos neste novo quadro político que estamos a viver, agindo, propondo, lutando para servir os trabalhadores, o povo e o País, honrando os compromissos assumidos e, sempre e sempre, a estimular a sua participação na nossa vida colectiva e a sua luta que, em todos os tempos e em todas as circunstâncias, mostrou ser o factor determinante e decisivo de transformação social e política.

Sabemos que o caminho que estamos a trilhar e que se abriu com a nova situação não é fácil e não está isento de dificuldades.

Tal como temos a plena consciência que a solução para os problemas do País não dispensam, bem pelo contrário, exigem a indispensável ruptura com a política de direita e a concretização de uma política patriótica e de esquerda.

É com a perspectiva da afirmação dessa alternativa que continuamos a trabalhar, empenhados na procura das soluções e tomada de medidas que correspondam a legítimas aspirações dos trabalhadores e do povo português a uma vida melhor.

É olhando em frente e com confiança neste grande e coerente Partido que vamos continuar o nosso combate.

Deste Partido portador de esperança que não desiste nem descansa de alcançar um Portugal com futuro!

7 Maio 2016, Avis