A 9 de Maio de 1945, o Exército Vermelho decretava o "Dia da Vitória"

terça-feira, 9 de maio de 2017

Discurso de Staline ao Povo soviético a 9 de Maio de 1945



Camaradas! Compatriotas!

O grande dia da vitória sobre a Alemanha chegou. A Alemanha fascista, derrotada pelo Exército Vermelho e pelas Forças Aliadas, reconheceu a sua derrota e anunciou sua rendição incondicional.

No dia 7 de Maio o documento preliminar da rendição foi assinado na cidade de Rheims. No dia 8 de Maio os representantes da Alemanha, na presença do Alto Comando das Forças Aliadas e do Alto Comando das Forças Armadas Soviéticas, assinaram em Berlim a ata final de rendição, que entrou em vigor a partir da meia-noite do dia 8 de Maio.

Sabendo dos hábitos sujos das autoridades alemãs, que consideram acordos como apenas um pedaço de papel, nós não temos nenhuma base para confiar nas suas palavras.
Mas, a partir dessa manhã, as tropas alemãs, ao preencherem a ata de rendição, começaram, em escala massiva, entregar as suas armas e tropas.

Isso não é apenas um pedaço de papel.

É a real rendição das Forças Armadas da Alemanha.

Entretanto, um grupo de tropas alemãs na região da Checoslováquia ainda se recusa a render-se.
Mas eu espero que o Exército Vermelho os traga logo à realidade.

Agora podemos legitimamente anunciar que o histórico dia da derrota final da Alemanha chegou.
O dia da grande vitória da nossa nação sobre o imperialismo alemão.

O grande sacrifício que tivemos de suportar em nome da liberdade e da independência da nossa Terra-Mãe, os incontáveis sofrimentos e perdas que nossa nação sofreu durante a guerra, o duro trabalho que tivemos, tanto no frente quanto na retaguarda, para agora oferecemos ao altar da vitória.

Não foi em vão e foi coroada com a completa vitória sobre o inimigo.

A antiga luta das nações eslovacas para sua existência e independência terminou com vitória sobre os invasores alemães e sobre a tirania alemã.

De agora em diante, por cima da Europa voará a grande bandeira de liberdade dos povos e paz entre as nações.

Há três anos atrás, Hitler anunciou a todo o mundo, que entre suas metas estava a desintegração da União Soviética, dilacerando com isso o Cáucaso, a Ucrânia, a Bielorússia, as Nações Bálticas e outras regiões.

Ele disse abertamente: "Nós destruiremos a Rússia e ela nunca será capaz de se reerguer outra vez". Isto há três anos.

Mas as ideias loucas de Hitler não tiveram nenhuma chance de se tornarem realidade.
O progresso da guerra os destruiu completamente.

De fato, a realidade foi completamente contrária aos loucos sonhos de Hitler.
A Alemanha está destroçada.

As tropas alemãs declararam sua rendição.

A União Soviética está celebrando a vitória, a despeito do facto de resolutamente não querer, nem dividir nem destruir a Alemanha.

Camaradas!

A Grande Guerra Patriótica terminou com nossa completa vitória.

Os tempos de guerra na Europa chegaram ao fim. O tempo de desenvolvimento pacífico está começando.

Meus caros compatriotas, eu desejo-vos a todos, tudo de melhor com a nossa vitória!

Glória para o nosso heróico Exército Vermelho que defendeu a independência da nossa terra-mãe e derrotou o inimigo!

Glória para a nossa grande nação, a nação triunfante!

Glória eterna aos heróis que morreram durante a guerra e deram as suas vidas para a liberdade e felicidade de nossa nação!

in Pravda,10 Maio de 1945

terça-feira, 2 de maio de 2017

Fortaleza de Peniche: vale a pena lutar!


1 - No dia em que se assinalam 43 anos sobre a libertação dos presos políticos da cadeia fascista de Peniche, o PCP evoca a memória e homenageia todos os que, durante quase meio século, resistiram à opressão da ditadura fascista e que generosa, persistente e corajosamente deram muito das suas vidas, alguns a própria vida, para derrotar o terror fascista e conquistar a liberdade e a democracia. Recorda as dezenas de milhar de presos políticos pela ditadura fascista e, de forma particular, os cerca de 2500 presos políticos da cadeia fascista de Peniche, muitos deles militantes do Partido Comunista Português, que se entregaram decisivamente à luta antifascista pela liberdade e a democracia, muitos dos quais dedicaram toda a sua vida para que fosse possível abrir as Portas de Abril e iniciar a construção de um Portugal democrático, de justiça e progresso, soberano e independente.

2 - Recordando a contribuição decisiva dada pelo PCP quer na oposição à então anunciada entrega a privados, quer para garantir a recuperação, requalificação e valorização enquanto Património nacional considera-se que o anúncio pelo Governo do programa para a Fortaleza de Peniche, bem como da garantia do financiamento público desse programa, é o resultado da luta em defesa da memória histórica e em defesa do património de Abril. Este anúncio constitui um passo significativo e importante na preservação da memória da luta antifascista e pela liberdade, e um acto de justiça e reconhecimento para com todos aqueles que lutaram para libertar o povo português da opressão da ditadura fascista e abrir as portas da liberdade com a Revolução de Abril que agora se comemora.

O PCP saúda todos os democratas, entre os quais os militantes comunistas e muitos outros antifascistas que, pela sua acção e luta, impediram a concessão a privados da Fortaleza de Peniche para fins hoteleiros, nunca desistiram da recuperação e valorização daquele espaço e souberam, pela sua força e unidade, transformar uma ameaça à preservação da memória da luta antifascista numa conquista de inegável valor para a salvaguarda daquele monumento e da memória histórica que acolhe. É deles, em primeiro lugar, a vitória hoje alcançada.

3 - As decisões agora anunciadas apontam para a concretização dos princípios contidos no documento produzido pelo Grupo Consultivo para a Fortaleza de Peniche que, de forma correcta e equilibrada, definem as bases para a recuperação, requalificação e valorização da Fortaleza de Peniche enquanto património nacional, monumento estratégico para a defesa da memória histórica, tendo como parte integrante e fundamental o núcleo museológico dedicado à denúncia da repressão fascista e à valorização da resistência antifascista e da luta pela liberdade e a democracia.

Foi essa desde sempre, a posição do PCP. O reconhecimento pelo Governo da importância desta função e desígnio da Fortaleza de Peniche é uma prova de que vale a pena lutar.

4 – A ideia base de ali instalar um núcleo museológico dedicado à resistência antifascista e à luta pela liberdade, e de submeter as restantes ocupações a esse desígnio principal é, na opinião do PCP, a base fundamental para dignificar aquele espaço e defender a memória histórica.

Definidas que estão as bases e o financiamento inicial para recuperação e valorização da Fortaleza de Peniche, o PCP considera que as variadas opções concretas para a utilização do espaço da Fortaleza terão ainda que ser alvo de ulterior análise mais detalhada, nomeadamente no que respeita ao equilíbrio entre as diversas valências, funções e ocupações, às formas concretas de financiamento e gestão e à calendarização de obras urgentes que sustenham a degradação da Fortaleza e do conjunto edificado ali instalado.

5 – O PCP saúda a população de Peniche, a Câmara Municipal de Peniche e os eleitos da CDU nesta autarquia, que ao longo dos últimos 12 anos desenvolveram, muitas vezes sem qualquer apoio do Estado, esforços para a recuperação da Fortaleza de Peniche. Saúda de forma particular todos os que se mobilizaram em defesa da Fortaleza de Peniche, nomeadamente a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), que, de forma incansável, lutaram e lutam há décadas para que a Fortaleza de Peniche se afirme, como exigido há 43 anos, como um espaço de memória e de afirmação dos valores de Abril, “um espaço para visitar e não para ficar”.

NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP

27 Abril 2017