A 9 de Maio de 1945, o Exército Vermelho decretava o "Dia da Vitória"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

70 anos da libertação de Auschwitz – 27 de Janeiro


No ano em que se assinala o 70º aniversário da vitória sobre o nazi fascismo, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) assinala a libertação do complexo de Auschwitz, incluindo o seu campo de concentração e extermínio, pelo Exército Vermelho, ocorrida há 70 anos, a 27 de Janeiro de 1945.

O CPPC assinala esta data, que a ONU designou como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, recordando todas as vitimas da barbárie nazi-fascista que foram fria e sistematicamente massacradas, os democratas, os anti-fascistas, todos os que foram assassinados pelas suas convicções políticas, religiosas, pela sua etnia, pela sua condição de seres humanos.

Intervindo resolutamente para que tal horror nunca mais aconteça, o CPPC expressa a sua condenação de todas as manifestações de xenofobia, intolerância, incitação, assédio ou violência contra pessoas ou comunidades.

O CPPC denuncia como a imposição de políticas de exploração e de guerra, que condenam os povos à pobreza e à fome, são as mesmas políticas que geram, alimentam e apoiam abertamente forças racistas e xenófobas, como instrumentos de desestabilização e ingerência, de que são exemplos as agressões aos povos da Palestina, da Síria, do Iraque ou da Ucrânia.

Recordando uma vez mais todas as vítimas do nazi-fascismo, o CPPC sublinha que todos os dias são dias de memória e de luta por um futuro melhor, mais justo e de paz.

Direcção Nacional do CPPC

27 Janeiro de 2015

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Desorientação política em Portalegre


Aumento do preço da água

A CDU votou contra o aumento do preço da água exclusivamente às instituições culturais, desportivas e de beneficência do concelho de Portalegre. Este aumento, aprovado em reunião de Câmara no dia 1 de Dezembro, prevê um agravamento de 33,3 por cento no preço da água que será cobrada em 2015 a essas associações e entidades.

Para a Coligação PCP/PEV, estes aumentos são «injustos e reveladores da total insensibilidade política para com a actividade destas entidades e para com o esforço abnegado das pessoas que as compõem». «É, além disso, uma atitude de discriminação negativa, tanto mais quando a todos os outros consumidores de escalão único, nomeadamente o Estado, as garagens particulares, as autarquias e a própria Câmara Municipal, não é aplicado qualquer aumento», alerta-se numa nota de imprensa, onde a CDU critica a Câmara de Portalegre por «penalizar o movimento associativo concelhio e as instituições particulares de solidariedade social, a quem já praticamente não atribui qualquer tipo de apoio, nomeadamente financeiro».

CDU reclama investimentos

O desenvolvimento de Portalegre, através da reindustrialização, criação de riqueza e promoção do emprego foi aprovado pela Assembleia Municipal, por proposta da CDU.

O documento estratégico contém 11 medidas que passam pela capacidade de Portalegre se assumir como capital do distrito, exercendo influência junto do Governo para a captação de investimento e fundos estruturais e pela assunção pela Câmara de uma função facilitadora da fixação de empresas, catalisadora das sinergias necessárias ao funcionamento das indústrias do concelho e medidora dos interesses inerentes ao processo de reindustrialização.

O controlo dos custos de produção, a quantidade dos serviços de competência municipal, como sejam o abastecimento de água ou os transportes públicos municipais, a qualidade das vias de comunicação do município, nomeadamente as ruas e estradas municipais, a clarificação da tipologia de classificação de zona industrial, a colaboração com as empresas existentes, assumindo como prioridade a manutenção do seu funcionamento e salvaguarda dos postos de trabalho, são outros aspectos contidos no documento estratégico aprovado pela Assembleia Municipal.

Recuperar o prestígio de Portalegre como «a cidade branca do Alentejo», limpa, atractiva e com qualidade de vida ao nível turístico, desportivo e cultural, e apostar em indústrias diferenciadas, ao nível da transformação dos recursos endógenos, da promoção das artes e ofícios tradicionais e da criação de clausters de indústrias criativas, são igualmente medidas preconizadas no documento.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A mentira continua - MURPI



A mentira, a indecência moral e o credo caritativo são as características dominantes da política do Ministro da Solidariedade e Segurança Social, em consonância com a política geral deste Governo.

Mantendo a mesma linha de actuação, as reformas e pensões de mais de três milhões e seiscentas mil pessoas continuam congeladas desde 2009.

Simultaneamente, agrava-se, na generalidade, o aumento do custo de bens essenciais (gás, electricidade e combustíveis) onerando, em sede de impostos, o IRS com a manutenção da sobretaxa, o aumento do IVA e o novo imposto, dito, da fiscalidade verde que irá produzir aumentos de outros serviços, relacionados com o aumento do preço dos combustíveis.

O Governo PSD/CDS mente quando afirma que aumentou as pensões mínimas, sendo que, apenas e de uma forma miserável, actualizou o 1º escalão das pensões mínimas, bem como as pensões do regime especial das actividades agrícolas e as pensões do regime não contributivo.

Neste quadro, os dados confirmam esta realidade:


Como se verifica, todos os pensionistas com uma carreira contributiva superior a 15 anos têm as suas pensões congeladas desde 2010.

Pela análise do quadro podemos concluir que apenas os pensionistas do 1º escalão das pensões mínimas foram ridiculamente “aumentados” em €2,59, o que se traduz na miséria de cerca de 8 cêntimos diários, uma afronta social para quem vive abaixo do limiar da pobreza.

Nos restantes pensionistas, abrangidos por este ridículo aumento, englobam-se os do regime especial das actividades agrícolas (+€2,39 mensais), as pensões não contributivas (25,45% tiveram um aumento de €2,00 mensais), além dos aumentos igualmente insignificantes nos complementos por dependência.

Estes ridículos “aumentos” são um atentado à dignidade dos pensionistas e dos reformados.

O aumento da idade para aceder à reforma que passou para 66 anos e 2 meses e o aumento dos valores do factor de sustentabilidade que vai reduzir substancialmente as pensões de futuros reformados, constituem outras medidas penalizadoras contra o direito social a ter uma pensão digna.

Nos últimos anos tem-se intensificado o empobrecimento dos cerca de 3 milhões de pensionistas da Segurança Social e dos mais de 600 mil da Caixa Geral de Aposentações, que são, ainda, em muitos agregados familiares o suporte de seus filhos e netos, vítimas do flagelo do desemprego.

A acrescentar a estas medidas, o Governo prepara-se para efectuar cortes de mais de cem milhões de euros nas prestações sociais, como foi aprovado pela maioria PSD/CDS-PP, em sede do Orçamento de Estado para 2015, vindo a abranger alguns destes pensionistas que foram vítimas destes aumentos!

A Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos MURPI exige a reposição aos reformados do saque das suas pensões, o aumento de 4,7% em todas as pensões e um aumento de 25 euros mensais nas pensões mínimas.

A Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI, ao mesmo tempo que denuncia esta manobra com fins eleitoralistas, apela a todos os reformados e pensionistas para

participarem nas iniciativas de protesto e luta que serão a resposta necessária à política de empobrecimento e austeridade que este Governo persiste em continuar.

Lutar contra esta política, exigir a demissão deste Governo e defender uma política alternativa e de esquerda contra a imposição e ingerência de organizações estrangeiras, é o caminho que temos que prosseguir para melhorar das condições sociais e económicas dos portugueses e, em particular, dos pensionistas e reformados.

A luta continua.


Lisboa, 2 de Janeiro de 2015.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Carlos Aboim Inglez



CARLOS ABOIM INGLEZ

Carlos Aboim Inglez, foi um intelectual comunista português, militante e dirigente do PCP, nasceu em Lisboa a 5 de Janeiro de 1930 e faleceu a 13 de Fevereiro de 2002, com 72 anos.

Foi estudante do Curso de Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, empregado de livraria e delegado de propaganda médica, Carlos Aboim Inglez empenhou-se desde muito jovem na luta antifascista, desenvolvendo intensa actividade em colectividades populares e tornando-se dirigente do Movimento Associativo Estudantil, do Movimento da Paz e do MUD-Juvenil.

Membro do PCP desde 1946 e funcionário do Partido na clandestinidade desde 1953, assumiu diversas responsabilidades, tendo estado preso nas cadeias fascistas, durante dez anos.
Esteve preso durante o regime fascista, altura em que tentou traduzir a "Fenomenologia do Espírito" de Hegel - tendo ficado pela "Introdução".

Tornou-se membro suplente do Comité Central em 1958 tendo passado a membro efectivo em 1974.
Foi membro do Executivo e do Secretariado da Direcção de Organização Regional de Lisboa e responsável pelo Sector Intelectual. Desde 1990 que era membro da Secção Internacional.

Aboim Inglez foi deputado à Assembleia da República e vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PCP e também deputado ao Parlamento Europeu.

Foi membro da Comissão Central de Controlo e Quadros e quando morreu pertencia ao Comité Central e à Comissão Central de Controlo.

Aboim Inglês preocupou-se, nos últimos anos de vida, sobre o tema da globalização, sob uma perspectiva marxista, articulando-a com a noção de fases na mundialização do capitalismo e a noção de imperialismo.

Poeta, mostrou grande interesse pela poesia portuguesa, como se nota no facto de incluir várias notas sobre poesia no "Avante!", como a respeito de Sá de Miranda, Camões ou Gil Vicente. Interessava-o as relações entre o pensamento materialista e a controvérsia medieval entre o realismo e nominalismo.

Quando morreu, pediu para ser cremado ao som do Coro dos Escravos da Ópera Nabucco, de Verdi.

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UMA GOTA NO CAUDAL

Sozinhos, que somos nós?
Gota de água diminuta
sumida da terra enxuta....
Nem a sede de uma boca
pode assim ser saciada,
porque sós não somos nada,
nem fonte de nenhum rio,
nem onda do mar ou espuma,
maré de coisa nenhuma.

Gota a gota a terra bebe.
rompe o ventre e verte um fio,
cresce a fonte e faz-se rio.
Quantas rotas tem o mar?
Quantas vagas a maré?
Quem as conta perde o pé.
Gota a gota. Cada é pouca.
Mas se a vida é una e vária
cada gota é necessária.

Mesmo sós sejamos sempre
uma gota no caudal,
diminuta, fraternal.

Carlos Aboim Inglez