A 9 de Maio de 1945, o Exército Vermelho decretava o "Dia da Vitória"

domingo, 25 de julho de 2010

O Portugal das Injustiças



O Parlamento debateu o estado da Nação. Foram visões distintas sobre o País as que estiveram em confronto faz hoje oito dias. Ao injustificado optimismo do primeiro-ministro, traçando um quadro sem correspondência com a realidade, contrapôs o PCP a verdade nua e crua de «um País mais injusto, mais desigual, mais dependente e mais endividado».

Coube ao PCP, uma vez mais, desmontar esse mecanismo e pôr em evidência a real situação do País, mostrando, nomeadamente, que a não ocorrer uma ruptura e uma mudança de política continuaremos no caminho do retrocesso social e do declínio nacional.

José Sócrates preferiu, num balanço à governação, enveredar uma vez mais pela fantasia, dourando o cenário num discurso onde quis passar a imagem de defensor do Estado social e de firme actor no combate à pobreza, socorrendo-se para o efeito da ajuda de indicadores do INE, publicados na véspera.

«Se alguma coisa mudou foi para pior», ripostou Jerónimo de Sousa, para quem o quadro traçado pelo primeiro-ministro, tirando a referência a uma ou outra «medida pontual», «não corresponde à realidade que o País vive».

Alvos de dura crítica do PCP foram também o PEC e as medidas adicionais entretanto aprovadas com o apoio do PSD, que levam o Governo PS a «redefinir sacrifícios».

E a questão que Jerónimo de Sousa quis ver esclarecida, sem que tivesse obtido resposta, é a de saber «se têm de pagar tanto os culpados como aqueles que não tiveram culpa nenhuma».

É que, observou, «quem paga mais é precisamente quem não contribuiu para a crise», dando exemplos: « É no IRS, no IVA, nos cortes ao subsídio de desemprego, nos cortes aos subsídios sociais, que não poupam desempregados, idosos, crianças, pessoas com deficiência, enfim, os mais fragilizados».

Daí o repto ao chefe do Governo para este «quantificar o valor que é sacado a quem vive dos rendimentos do seu trabalho e qual a quantia que é facturada à banca, às mais-valias bolsistas, aos lucros acima de 50 milhões de euros, aos capitais que voam para off-shores».

Perguntas, também estas, que ficaram sem resposta.

Resumo do artigo do Jornal Avante sobre o Debate da Nação de dia 15 de Julho de 2010

Pode ser lido na íntegra em: www.avante.pt

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